Última locação: Mangueira. Imagens que emocionam




Algumas vezes, imagens dizem mais do que mil palavras…

Fábio Pestana, diretor de fotografia e produtor, e Jane de Almeida, diretora e coordenadora do projeto Estereoensaios junto à RNP, ou seja, a viabilizadora do que se fez nessa semana no Rio, emocionam-se com as imagens da Estação Primeira da Mangueira em 3D no monitor da câmera.

É por essas e outras que dissabores, preocupações e questões surgidas no transcorrer da produção deixam de ter sentido, e tudo que é especial e belo permanece. Inclusive em uma pesquisa ou principalmente nela.

From EstereoEnsaios

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09/07 – Primeiro dia de filmagem: aéreas e marítimas

Para aproveitar o sol de um sábado lindo, após dias de chuva e tempo fechado no Rio de Janeiro, a equipe de filmagem foi até o Recreio para pegar o helicóptero que levou a diretora, o diretor de fotografia e o estereógrafo a capturar as primeiras imagens aéreas de “Cinco ou seis ensaios em busca de uma narrativa“.Após uma hora e meia de ajustes da câmera, decolaram.

Preparação e ajustes da Red Epic 5K na Marina da Glória.

Pela tarde, foram direto à Marina da Glória para, de barco, agora capturar a ponte Rio-Niterói, a plataforma de petróleo e outras tomadas que haviam sido feitas na pesquisa de locação e agora foram “prá valer”. Cinco pessoas da equipe foram acompanhando o marinheiro que muito simpaticamente ajudou na busca de ângulos inusitados do Rio de Janeiro. Voltaram extasiados com o cair do sol, felizes com a qualidade das imagens.

No final do dia, antes mesmo de chegar ao hotel, a equipe de pós-produção informou que as imagens do helicóptero – havia a preocupação devido à estabilidade da câmera – estavam ótimas. Um grande alívio.
Imaginem as do barco, então.

From EstereoEnsaios

Filme-ensaio sobre o Rio faz experimentação em 3D

Por Jane de Almeida

Cinco ou seis ensaios em busca de uma narrativa” ou “Estereoensaios” é o primeiro curta-metragem no mundo a utilizar câmeras Red Epic em 3D. O filme é um ensaio visual em super-alta definição que quer explorar imagens ainda não vistas e tem como inspiração os filmes sobre cidades do início do século XX, que exploraram perspectivas ainda não vistas até aquele momento.

Foto: Caru Schwingel.

Cinco ou seis ensaios…” parte da ideia de que quase todos os filmes de referência são filmes-ensaios: objetos não identificados em termos de gênero cinematográfico, nem um documentário, nem uma ficção, nem um docudrama. Com imagens documentais, mas sem compromisso documental, com imagens ficcionais, mas sem compromisso narrativo ficcional.

A visão estereoscópica gerada pelas novas tecnologias de captura em ultradefinição permite pensar em outras possibilidades imagéticas e também outras metáforas para o cinema. Se antes tínhamos o “cinema-olho” (no singular) com Dziga Vertov e a centralidade da imagem monocular que acompanha a sua história, a imagem estéreo permite que se pense o mundo visual atual através de uma “stereopsis“, ou seja, a câmera de cinema era CÍCLOPE – só tinha um olho.

A nossa agora é STEREOPSIS. Nesse sentido, como pensar em imagens a partir do aspecto Binocular?

Vejam o celular com duas câmeras, verdadeiro Stereopsis!

Ensaio no barco: desafiador e instigante

Um dos ensaios dentre os cinco ou seis que podem ser quatro ou três, será com as câmeras em um barco. Para termos acesso às decolagens e aterrissagens do Aeroporto Santos Dumont somente assim, via mar, pois a burocracia da Infraero impede qualquer filmagem no horário de funcionamento do aeroporto fora das áreas comuns. E pista? Nem pensar! Como fazer 3D sem profundidade de campo?

Então a opção foi fazer via mar, de um barco. Aproveitaremos para filmar a Ponte Rio Niterói e o castelo da Ilha Fiscal, realizando o sonho de nosso produtor, assistente de câmera, fotógrafo, assistente de direção, magic man, Fábio Pestana.

Estabilizar as câmeras no barco será um desafio para a equipe, e também uma ótima oportunidade para se experimentar linguagens em altíssima resolução nas ondas do mar.

E nada como outro filme para inspirar…

Pré-Roteiro de “Seis ensaios a procura de uma narrativa”

O filme mostrará a cidade de São Paulo, luzes, movimentos, imagens aéreas. A cidade será o tema do filme, construindo uma narrativa de ritmos sonoros e visuais. Acredita-se que esta narrativa é adequada a um projeto fílmico deste calibre porque será usado apenas um par de câmeras 4k, suportadas por um Rig devido ao custo do equipamento e à dificuldade de encontrar especialistas para captura e edição.

Desta forma, não será necessário captar som direto e poderá ser posteriormente produzido;  a tecnologia 4k é reconhecida pelo seu aspecto de ausência de foco principal e excesso de luminosidade conduzindo a uma escala de pixels homogênea.

Esta imagem se adequa ao gigantismo e aos detalhes;  este tipo de narrativa faz parte da tradição do cinema como O homem com a câmera,de Dziga Vertov (1929, http://www.youtube.com/watch?v=KytJFyMHZl0), Berlim, Sinfonia da cidade grande, de Walter Ruttmann (1927, http://www.youtube.com/watch?v=5ej84nN1WcE), São Paulo, Sinfonia da Metrópole, de Rodolfo Lustig e Adalberto Kemeni (1929, http://www.youtube.com/watch?v=UZo0mMuWp_E) e mais tarde o filme Baraka, de Ron Fricke (1992, http://www.youtube.com/watch?v=hdjUfR8CoLc&feature=related) quando retrata os escalonamentos gigantes; não serão necessários atores, podendo restringir as filmagens a três dias na cidade.